O orgulho me perdeu sobre a terra; quem, pois, compreenderia a insignificância dos
reinos desse mundo, se eu não o compreendesse? Que carreguei comigo da minha releza
terrestre? Nada, absolutamente nada; e como para tornar a lição mais terrível, ela não me
seguiu até o túmulo! Rainha eu fui entre os homens, rainha eu acreditava entrar no reino dos
céus. Que desilusão! Que humilhação, quando em lugar de ser ali recebida como soberana, vi
acima de mim, mas bem acima, homens que eu acreditava bem pequenos e que desprezei porque
não eram de um sangue nobre!
Oh! então eu compreendi a esterilidade das honras e das grandezas que se procurava com tanta
avidez sobre a terra!
Para se preparar um lugar neste reino, é preciso a abnegação, a humildade, a caridade em toda sua
prática celeste, a benevolência para com todos; não se vos pergunta o que fostes, que posição
ocupastes, mas o bem que haveis feito, as lágrimas que enxugastes.
Os homens correm atrás dos bens terrestres, como se os devessem guardar para sempre; mas aqui não há mais ilusões; eles se apercebem logo se que não agarraram senão uma sombra, e negligenciaram os únicos bens sólidos e duráveis, os únicos que lhes são de proveito na morada
celeste, os únicos que podem a ela lhes dar acesso.
(Uma Rainha de França, Havre, 1863).
Assim segue a Humanidade, na corrida desenfreada por quimeras...
Até quando o cansaço fizer enxergar a perda de tempo precioso, a corrida pelas coisas transitórias.
O recomeço em dores atrozes, seguimento por vias cruzes... Infelizmente!
GinaGuedes