O quarto da torre era o seu refúgio, ali ela fazia suas meditações...
Mais um Natal se anuncia. Quantos Natais permaneceu perdida em meditações...?
Alma inquieta e sofrida! Em seu quarto sentia-se protegida.
Foram décadas ausente e alheia ao mundo lá fora.
Todo vilarejo se iluminava para o Natal. Ela nunca participava, embora
acompanhava da janela do quarto os movimentos das pessoas que ansiosas
aguardavam o badalar do sino da igreja anunciar que era Natal.
Quem era ela? Não se sabia. Uma bela mulher que vivia num castelo.
Morava só e não compartilhava sua vida com ninguém.
Diziam que ela era uma Feiticeira... Mulher misteriosa!
Mantinha segredos bem protegidos, longe da curiosidade do vilarejo.
O Natal lhe trazia lembranças dolorosas... Ela não entendia porquê?
Uma nostalgia invadia sua alma sensível. Como sofria sem ao menos compreender.
Em noites estreladas, perdia-se em pensamentos e pedidos...
Sempre fazia a mesma pergunta:
Qual estrela foi a minha morada?
E como resposta todas brilhavam intensamente pra mim.
Como dizer-me:
Faça a sua escolha, você pode viver tudo! Ainda não percebeu que vives entre nós...
Que saudade! Oh, como quero voltar pra casa!
Volta a olhar as pessoas apressadas indo em todas direções... Tava se aproximando o
instante mais sentido naquele coração. O Natal que ficou marcado, e se perdeu no tempo...
No final da rua ficava a Catedral. O coro cantava o nascimento de Jesus menino.
Era tão divino, que por instantes ela se teleportou da torre indo ouvir mais próxima,
o coro maravilhoso!
A rua em silencio absoluto! A neve caia, fazendo sentir a dor mais pungente d'alma.
E marcada pelo estigma da solidão, viu passar através da música o Natal dos sonhos...
Oh! Saudades... Meu bom Jesus, que saudade!

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