Uma grande tempestade anunciava para breve.
Uma noite fria, triste e longa...
Olhos famintos buscavam resquícios de comida, nada havia ali.
Alguns metros dali, tinha uma bela moradia. Vozes chegavam
aos ouvidos daquela figurinha miúda!
Ela se animou e resolveu se aproximar, contudo, ao ser percebida
foi enxotada.
Na casa, comemorava-se o aniversário do primogênito.
Altas horas a festa rolava... Regados a bebidas, dançavam, cantavam,
era muita alegria.
Excessos de comidas eram desperdiçadas, e os convidados eufóricos
aproveitavam o quanto podia!
Lá fora relegada ao abandono Aurinha chorava...
Fome e frio a coitadinha pedia ajuda aos céus...
Seus lamentos e miados agoniados, foram abafados pelo barulho da tempestade.
Cega e doente suportou a chuva torrencial.
Novo dia despertou-a para a vida.
Foi assim que essa bichinha chegou à casa onde seria dali por diante o seu lar.
Alma daninha, corações desalmados... gente ruim!
O mundo tá repleto de gente assim.
Desde que estejam fartos e seguros, nada importa.
O egoísmo mata! Não existe maldade que se compare ao abandono e a fome!
Vivemos a época apocalítica. Os extremos se chocam... digladiam-se...
O mal cada vez mais cruel, sem dó e sem noção destrói tudo que alcança.
Ao meio da tormenta surge a mão amiga:
Coração sensível a dor alheia, que seja como for a circunstancia apresentada.
Os céus pronunciaram-se e Aurinha foi acolhida pela Debinha.
Boa garota de alma encantada!
#GinaGuedes

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