quinta-feira, 30 de março de 2017

Mãe, cadê a primavera?
Eu quero estar contigo. Oh! sim, quero escolher uma linda flor...
Oh! Mãe Santíssima, cadê a chuva?
Eu quero, eu preciso refrescar-me nas tuas águas gélidas...
Ah, Santa Mãe! Onde estão todos do meu tempo de meninice...?
Saltitantes, percorríamos as planícies orvalhadas pelas chuvas noturnas...
Mãe, que saudade dos meus tempos, onde pude viver as quatros estações...
Olho os céus e vejo o cinza dos nossos desregramentos...
Olho o solo desnutrido pela mão do homem!
Os rios perderam o próprio leito.
Os mares se enfurecem pela invasão da civilização...
E mesmo assim pedimos clemência.
Mas como isto será possível? Os céus não derrogam a sua lei irrevogável.
Vamos viver, ou melhor, já estamos vivendo os tempos preditos...
Mãe Bendita, vinde a nós... cobre-nos com o vosso véu sagrado de luzes diáfanas...
Hoje, não mais temos inverno, nem as outras estações...
Nem um pouco de amor pela vida, que pulsa nos cosmos infinitos...Assim como pulsa
em tudo que foi criado pela vontade divina!
Não há amor no homem, nele é nutrido o egoismo.
Lembro-me das mãozinhas delicadas e perfumadas pelas florzinhas tenras dos campos...
Ah! Essa ausência maltrata. Onde os lagos eram o rico prato, de seres fartos, pela riqueza
natural de algumas décadas...
Leva o sonho contigo, leva... Por favor, leva-me a outra paragens, agora.
Só quero sentir-me segura e liberta da opressão.
Oh! Mãe querida, se oro, chega a ti o meu murmurio...?
Ainda vislumbro as chuvas que corriam célere pelos caminhos paralelos à casinha de sapê...
GinaGuedes



Nenhum comentário:

Postar um comentário