-Abigail! - exclamou Saulo comovidíssimo, logo que se viram
a sós... abdiquei o meu orgulho e a minha vaidade de homem publico
para vir até aqui, perguntar se me perdoaste, se me não esqueceste!
-Esquecer-te? ¨
-Por mais rude e longa que seja a estação de sol ardente, a folha do deserto
não poderá esquecer a chuva benéfica que lhe deu vida.
Não me fales, igualmente, em perdão, pois acaso poderá alguém perdoar-se
a si mesmo?
-Me disseste, muitas vezes, que eu era o coração do teu cérebro?
-Por que dizes que "eras o coração", se ainda és e sê-lo-ás para sempre?
-Desconfio, Saulo, que os lares da terra não foram feitos para nós...
-Nos meus primeiros dias de solidão, visitava os lugares ermos, como a
procurar-te, requisitando socorro do teu afeto.
Os pessegueiros de nossa predileção pareciam dizer que nunca mais voltarias;
a noite amiga aconselhava-me a esquecer; o luar, que me ensinaste a bem-querer,
agravava as minhas recordações e amortecia as minhas esperanças...
Essas foram as últimas expressões daquela mulher virtuosa, que exalou o seu último
suspiro, falando do perdão para com o homem amado!
Somente as grandiosas almas amam assim.
As palavras as vezes são desconexas, na linguagem dos amantes...
Saulo voltou; voltou muito tarde. Deixou-se arrastar por dúvidas e preconceitos.
Agora chora a perda irremediável da mulher escolhida do seu coração!
Não podemos deixar pra depois o que pode ser feito agora!
Poderá não acontecer o amanhã pra você meu irmão.
Assim como para todos nós...
Se agarre aos seus sonhos, sem os sonhos, estamos mortos...!!!
GinaGuedes

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